Flávio Bolsonaro (PL) foi o candidato a presidente mais votado em Manaus (AM) no primeiro turno de 2026, com 641.864 votos, deixando Lula (PT) em segundo, com 439.027. Mais de 158 milhões de brasileiros foram às urnas num dia marcado não só pela disputa presidencial, mas pelos efeitos diretos da guerra no Golfo: petróleo acima de 100 dólares por barril, pressão sobre o preço da bomba, do gás de cozinha e do câmbio.
A apuração na capital amazonense foi divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os números se referem apenas à votação na cidade e não indicam quem foi eleito nem quem avança ao segundo turno. Mas a margem é larga: em Manaus, Flávio Bolsonaro quase dobrou a votação de Lula. Nas seções eleitorais da 70ª zona, a vantagem apareceu em detalhe. No E. M. Ulisses Guimaraes, por exemplo, o candidato do PL levou 150 votos, ou 53,96%, contra 104 do petista, 37,41%. No E. E. Raimunda Holanda de Souza, foram 167 votos, 54,05%, contra 109, 35,28%.
Manaus funciona como um termômetro do eleitorado amazônico e daquele que sente primeiro os choques externos. O Amazonas depende de importações por via terrestre e aérea, e qualquer alta global de combustível encarece tudo o que chega à cidade. Quando o barril de petróleo passa de 100 dólares, o efeito não fica na bolsa: chega ao ônibus, ao frete dos alimentos e ao valor do gás de cozinha. É por isso que temas econômicos dominaram o debate doméstico neste primeiro turno, mesmo com uma guerra do outro lado do mundo.
A guerra no Golfo é o motor dessa pressão. Regiões produtoras de petróleo ficam sob risco de interrupção, e o mercado passa a cobrar um seguro contra o pior. O resultado sobe no preço do barril e se espalha: frete mais caro, produto importado mais caro e um real mais fraco diante do dólar. Para uma família de Manaus, que compra quase tudo de fora, essa cadeia é uma conta que chega todo mês.
O resultado na capital amazonense mostra um eleitorado mais preocupado com o bolso do que com a conjuntura internacional, mas as duas coisas estão ligadas. Quem foi votar levou na urna a memória do preço da bomba, do gás e do câmbio na cesta de compras. A guerra dá o tom; a urna dá a resposta.
Por que importa: O petróleo caro e o dólar alto não ficam restritos ao Golfo. Eles sobem direto para a bomba brasileira, para o gás de cozinha e para a parcela do combustível na conta de luz, puxando a inflação para cima. Quando o preço do barril passa de 100 dólares, o brasileiro sente no abastecimento e no mercado, e isso define em quem vota.
