Olh no Mundo
Geopolítica & Economia
O Essencial de Hoje +++
Brent em US$ 98.43/bbl·Brent em US$ 98.43/bbl·
Geopolítica·2 min de leitura

Rússia intensifica guerra híbrida na Europa e coloca a OTAN contra a parede

GEOPOLÍTICA
Rússia intensifica guerra híbrida na Europa e coloca a OTAN contra a parede

A ex-embaixadora dos Estados Unidos na OTAN, Julianne Smith, alertou que a guerra híbrida da Rússia na Europa entrou numa fase perigosa: sabotagens, pressões indiretas e operações encobertas estão escalando rápido, e a aliança militar ocidental não está fazendo o suficiente para conter o avanço de Moscou. Segundo ela, o presidente Vladimir Putin está tentando desgastar o apoio à Ucrânia e minar a confiança no Artigo 5 da OTAN, o compromisso central que obriga todos os membros a defenderem qualquer aliado que seja atacado.

O conceito de guerra híbrida pode parecer vago, mas as ações são concretas. Incluem sabotagem de infraestruturas como gasodutos e cabos submarinos, ataques cibernéticos contra governos e empresas, campanhas de desinformação em massa e pressão econômica indireta. A Rússia não dispara mísseis contra a OTAN, mas opera numa zona cinzenta que testa os limites da aliança sem provocar uma resposta militar convencional. É uma estratégia calculada: cada sabotagem impune sinaliza fraqueza.

A aposta de Putin vai além de atrasar a ajuda militar a Kiev. O objetivo central, segundo a análise de Smith, é corroer a credibilidade do Artigo 5. Se os países europeus passarem a duvidar de que os Estados Unidos e os demais aliados realmente entrariam numa guerra para defendê-los, a aliança perde seu poder de intimidação sem que um único tiro seja disparado. A lógica da OTAN sempre foi essa: ela funciona enquanto todos acreditam que funciona.

O problema, aponta a ex-embaixadora, é que a OTAN ainda responde a essa ameaça com um manual ultrapassado. A aliança foi desenhada para enfrentar tanques e exércitos convencionais, não sabotagens discretas nem campanhas de desinformação. Sem uma doutrina clara para lidar com ataques híbridos, cada país acaba reagindo isoladamente, o que é exatamente o que Moscou quer: fragmentar a resposta coletiva. Na prática, cada incidente vira um teste político em que o governo atacado precisa convencer os aliados de que houve agressão, mas, sem a clareza de um ataque militar convencional, o consenso político fica difícil de formar. A Rússia explora exatamente essa ambiguidade.

Por que importa: A instabilidade na Europa e o desgaste da OTAN afetam o Brasil de formas concretas. A volatilidade geopolítica pressiona o preço do petróleo e do gás natural, que influenciam diretamente o custo de energia e dos combustíveis nas bombas brasileiras. Uma Europa mais insegura também tende a desviar investimentos de países emergentes, o que eleva o dólar e pressiona a inflação no país. Além disso, o Brasil importa grande parte dos fertilizantes que usa do produtor russo: qualquer aprofundamento da crise pode encarecer a produção do agronegócio nacional.

Fontes