A alegria com a queda de Bashar al-Assad na Síria já deu lugar a protestos nas ruas. A causa principal é o preço dos combustíveis, que disparou durante a transição política. Os novos governantes, celebrados há meses, agora enfrentam a paciência esgotada de uma população que esperava mudanças rápidas.
Derrubar um regime que governou por décadas com mão de ferro é uma tarefa. Reconstruir um Estado em frangalhos é outra completamente diferente. A Síria pós-Assad está descobrindo isso na prática, enquanto lida com uma crise econômica profunda e um cenário de segurança ainda frágil. As milícias que ajudaram a derrubar o antigo governo agora controlam partes do país, criando um poder paralelo difícil de integrar.
O país mergulhou num ciclo de escassez e inflação. A infraestrutura energética, destruída por mais de uma década de guerra civil, não consegue abastecer a demanda. As filas nos postos de gasolina se alongam e os preços dos produtos básicos sobem, corroendo a esperança inicial de mudança. A paciência do povo sírio, que apoiou a transição, está se esgotando como o combustível dos seus carros.
A instabilidade em Damasco reverbera por toda a região. Potências vizinhas, como a Turquia e o Irã, monitoram de perto o caos, temendo que o colapso total do Estado sírio crie um vazio de poder. Esse vazio pode abrigar grupos extremistas ou desencadear novas disputas territoriais, redesenhando o mapa de alianças no Oriente Médio mais uma vez.
Por que importa: Uma Síria fraca e instável mantém o Oriente Médio, uma região-chave para o fornecimento global de energia, em constante estado de alerta. Qualquer escalada de tensões ou novo conflito na área pode impactar diretamente o preço do petróleo no mercado internacional, pressionando o preço dos combustíveis nas bombas brasileiras e afetando a inflação da economia doméstica.
