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Três mortos em Riade: hutistas levam guerra do Iêmen ao coração da Arábia Saudita

ORIENTE MÉDIO
Três mortos em Riade: hutistas levam guerra do Iêmen ao coração da Arábia Saudita

O grupo hutista, milícia apoiada pelo Irã que controla o norte do Iêmen, atacou o aeroporto internacional de Riade com mísseis e matou três cidadãos sauditas. O ataque marca uma escalada sem precedentes no conflito: pela primeira vez, a guerra que devasta o Iêmen desde 2014 atinge diretamente a capital do reino, uma das cidades mais protegidas do Oriente Médio.

Os hutistas, formalmente conhecidos como Ansar Allah, são um movimento xiita que tomou o poder em Saná, capital iemenita, em 2015. Desde então, travam uma guerra contra o governo internacionalmente reconhecido do Iêmen, que tem na Arábia Saudita seu principal financiador e protetor militar. Riad lidera uma coalizão de países árabes que bombardeia posições hutistas há quase sete anos, com o objetivo de restaurar o governo deposto.

O ataque ao aeroporto de Riade expõe uma fragilidade que a Arábia Saudita pouco admitia publicamente. O reino investe bilhões de dólares em defesa antiaérea, incluindo sistemas Patriot comprados dos Estados Unidos, mas os mísseis e drones lançados pelos hutistas têm conseguido ultrapassar essas barreiras com frequência crescente. Nos últimos anos, ataques já atingiram refinarias, oleodutos e bases militares no território saudita, mas nenhum tinha chegado tão perto do centro político e econômico do país.

A escalada reflete também a disputa por procuração entre Riad e Teerã. O Irã fornece armas, treinamento e tecnologia aos hutistas, que funcionam como uma extensão regional da influência iraniana. Para o governo de Riad, a guerra no Iêmen era justificada como uma contenção à expansão iraniana na Península Arábica. Agora, o conflito deixa de ser algo que "acontece lá" e passa a ser uma ameaça direta à segurança interna saudita.

Por que importa: A Arábia Saudita é o maior exportador de petróleo do mundo. Qualquer instabilidade que afete a infraestrutura energética ou a estabilidade política do reino tende a empurrar os preços do barril para cima. Quando o petróleo encarece, o efeito chega ao posto de gasolina no Brasil, que importa parte do combustível que consome, e também pressiona a inflação e o custo de transporte de tudo o que é produzido e levado ao consumidor.

Fontes