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Barril perto de US$ 90 esconde gargalo: diesel e frete ainda sufocam o mercado de petróleo

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Barril perto de US$ 90 esconde gargalo: diesel e frete ainda sufocam o mercado de petróleo

O preço do petróleo se estabilizou depois que o temor de uma guerra aberta entre Estados Unidos e Irã perdeu força. O barril de referência americano (WTI, na sigla em inglês) foi negociado a US$ 90,65 na sexta-feira, com variação de apenas 0,10% no dia. A calmaria, porém, só vale para o cru. O mercado de diesel e de frete marítimo segue sob forte tensão, e as sequelas da crise no Oriente Médio continuam pesando sobre a cadeia global de combustíveis.

A queda das tensões imediatas fez os traders recuarem do pânico. Sem sinais concretos de um confronto militar direto, o Estreito de Hormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo do mundo, voltou a operar com mais normalidade. Os fluxos de cru saindo do Golfo Pérsico já se aproximam dos níveis anteriores à escalada, segundo executivos das empresas americanas Phillips 66 e Occidental Petroleum.

O problema é o que acontece depois que o petróleo sai do poço. As refinarias do Oriente Médio, que abastecem Ásia e Europa com diesel e outros combustíveis, ainda estão operando abaixo da capacidade por causa dos meses de instabilidade. O diesel, insumo essencial para caminhões, navios e indústria, continua em situação de escassez aguda nos mercados internacionais. Sem combustível refinado suficiente, o gargalo se deslocou do barril de cru para o produto finalizado.

Para cobrir a falta, compradores europeus e asiáticos estão recorrendo cada vez mais aos Estados Unidos, tanto para importar diesel quanto para contratar navios-tanque em rotas mais longas. Isso eleva a demanda por frete justamente quando o custo de transporte já está nas alturas. As seguradoras cobram prêmios mais caros para rotas que passam pelo Golfo Pérsico e pelo Mar Vermelho, e muitos navios desviam pelo Cabo da Boa Esperança, adicionando semanas de viagem e milhões de dólares ao custo final.

O barril perto de US$ 90 é uma boa notícia para quem acompanha a inflação. O mercado de frete e de diesel, porém, segue apertado, e a reconfiguração das rotas comerciais ainda não se estabilizou.

Por que importa: O diesel importado responde por quase metade do consumo nacional e move a frota de caminhões que abastece supermercados e indústrias no Brasil. Quando o frete e o refino lá fora encarecem, o custo chega às prateleiras. O barril estável ajuda, mas o que pesa no bolso do brasileiro é o preço do combustível refinado e do transporte para chegar até ele.

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