Avanços hutus e o fechamento de estradas vitais reativaram o cerco a Taiz, terceira maior cidade do Iêmen, renovando a escassez de comida e combustível e elevando preços de maneira acelerada. A situação revive memórias dos cercos mais duros do conflito, que já dura quase uma década.
O Iêmen vive uma guerra civil desde 2014, quando os hutus, milícia xiita apoiada pelo Irã, tomaram a capital, Saná, e forçaram o governo a se mudar para o sul. Em resposta, uma coalizão liderada pela Arábia Saudita entrou no conflito para restaurar o governo reconhecido internacionalmente. Taiz, estrategicamente posicionada entre a capital e o litoral do Mar Vermelho, sempre foi cobiçada pelos dois lados.
Com os hutus avançando e bloqueando rotas de abastecimento, a cidade enfrenta escassez de alimentos e combustível. Os preços sobem e a população fica refém de uma crise humanitária que se repete. O cerco atual demonstra que, mesmo com esforços de cessar-fogo, o conflito continua ativo em pontos-chave do país.
A persistência do conflito no Iêmen revela a disputa mais ampla entre Irã e Arábia Saudita pelo controle da região. Cada avanço militar de um lado provoca reação do outro, e a população civil é quem paga o preço. Taiz é um símbolo dessa dinâmica: cidade cercada não por escolha própria, mas por ser peça no tabuleiro geopolítico do Oriente Médio.
Por que importa: O Mar Vermelho é uma das rotas comerciais mais importantes do mundo, por onde passam navios que ligam a Ásia à Europa pelo Canal de Suez. Instabilidade no Iêmen pode encarecer o frete marítimo, pressionar o preço do barril de petróleo e, por consequência, elevar o custo do combustível nas bombas brasileiras. É mais um exemplo de como um conflito aparentemente distante chega ao bolso do brasileiro.
