Os Estados Unidos removeram nesta sexta-feira (10) o nome de Theint Win Htet, filha de um empresário acusado de apoiar o governo militar de Mianmar, da lista de sanções do Departamento do Tesouro americano. A decisão acontece dias depois de relatos de que o governo Trump reabriu canais de diálogo com a junta que governa o país asiático desde o golpe de 2021.
Theint Win Htet havia processado o Tesouro em julho, contestando sua inclusão na lista negra. Segundo a Al Jazeera, que reproduziu informações da Reuters, a retirada do nome dela foi publicada diretamente no site oficial do Departamento do Tesouro. A agência não detalhou os argumentos jurídicos usados no processo.
O gesto ocorre num momento de reaproximação entre Washington e o regime que depôs a líder eleita Aung San Suu Kyi em fevereiro de 2021. Desde então, o exército birmanês enfrenta resistência armada interna e sanções de vários países ocidentais. A reaproximação sinaliza que a administração Trump prioriza o pragmatismo nas relações exteriores em detrimento da pauta de direitos humanos, que desde o golpe foi o principal obstáculo ao diálogo entre as partes.
Mianmar, antiga Birmânia, é um país do Sudeste Asiático rico em gás natural, pedras preciosas e terras raras, recursos que atraem interesse de potências como China e Índia. A China, em particular, mantém laços estreitos com a junta e é a maior investidora estrangeira no país. Uma reaproximação entre Washington e o regime birmanês pode alterar o equilíbrio de influências na região, onde Pequim tem ganhado espaço desde o golpe.
Para analistas, a retirada de sanções contra um membro da família de um empresário ligado à junta é o tipo de sinal diplomático que abre caminho para negociações maiores. É um movimento gradual, que testa a reação tanto do regime quanto da opinião pública internacional antes de passos mais concretos, como a flexibilização de sanções sobre figuras diretamente ligadas ao aparato militar.
Por que importa: Mianmar é o segundo maior fornecedor de gás natural para a Tailândia e abriga reservas de terras raras disputadas pela indústria de tecnologia global. Qualquer mudança no tabuleiro geopolítico do Sudeste Asiático afeta cadeias de suprimentos que chegam ao Brasil, de componentes eletrônicos a fertilizantes. Além disso, o sinal de que Washington pode flexibilizar sanções por razões pragmáticas reacende o debate sobre como o país lida com regimes autoritários, tema que influencia alianças comerciais e a posição do Brasil em fóruns multilaterais como a ONU.
