Mísseis atingem o palácio presidencial do Iêmen, eleições em Israel testam o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e um acordo com o Líbano está parado três meses depois de assinado. Três processos políticos que prometiam estabilidade no Oriente Médio avançam no papel, mas fracassam na prática, mostrando como a região continua atolada em crises sobrepostas.
No Iêmen, o ataque com míssil dos rebeldes hutis ao palácio presidencial de Áden, na quinta-feira, matou cinco pessoas e feriu 16, de acordo com o ministro da Saúde do governo reconhecido internacionalmente. O alvo foi o complexo Al-Maashiq, que abriga tanto forças do governo iemenita quanto o comando da coalizão militar liderada pela Arábia Saudita. A investida marca uma escalada significativa na guerra civil do país, que se intensificou após o colapso de uma trégua prolongada e a retomada das ofensivas hutis. O conflito, travado desde 2014, opõe os hutis, apoiados pelo Irã, às forças do governo, respaldadas pela Arábia Saudita e pelos Emirados Árabes.
Enquanto o Iêmen mergulha novamente na violência, Israel enfrenta uma turbulência política interna nas vésperas de eleições marcadas para 27 de outubro. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que busca a reeleição enquanto é procurado pelo Tribunal Penal Internacional por supostos crimes de guerra em Gaza, encara oposição de dentro de seu próprio campo. Analistas apontam que seu legado mais duradouro pode ser justamente a direita israelense que ele ajudou a fortalecer e que agora desafia sua liderança. O cenário expõe a instabilidade do governo no meio de uma guerra prolongada e de uma crise diplomática internacional.
No Líbano, a promessa de estabilização não saiu do papel. Um acordo mediado pelos Estados Unidos entre Israel e Líbano, celebrado há três meses, previa a retirada de tropas israelenses de territórios libaneses e a criação de uma equipe de verificação internacional. Até agora, nenhuma dessas etapas foi cumprida. Segundo o embaixador americano David Hale, o Líbano ainda poderia ser o primeiro sucesso diplomático do governo Trump na região, mas isso exigiria uma pressão muito maior de Washington. A paralisia alimenta o risco de novas escaramuças na fronteira.
Por que importa: Esses fracassos em cadeia mostram que a instabilidade no Oriente Médio não é apenas um problema local, mas um combustível para crises globais que afetam o bolso do brasileiro. A retomada dos combates no Iêmen pode voltar a ameaçar o tráfego de navios petroleiros no Mar Vermelho, rota fundamental para as exportações de petróleo do Golfo Pérsico, pressionando os preços do combustível nas bombas aqui. Além disso, a volatilidade geopolítica na região faz o dólar flutuar e alimenta a incerteza nos mercados, o que afeta diretamente a inflação, os juros e o emprego no Brasil.
