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Preço na bomba vira arma eleitoral nos EUA: diesel passa de 4 dólares e Trump culpa Zelensky

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Preço na bomba vira arma eleitoral nos EUA: diesel passa de 4 dólares e Trump culpa Zelensky

O presidente Donald Trump responsabilizou o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, pelo preço recorde do diesel nos Estados Unidos, que passou de 4 dólares o galão na bomba. A acusação veio três semanas antes das eleições de 3 de novembro, as eleições de meio-mandato, quando o custo da gasolina e do diesel virou assunto de campanha e cada lado disputa a narrativa sobre quem é o culpado pelo aperto no bolso do americano.

O estopim do conflito de narrativas é uma guerra de ataques e retalições que mexe com o fornecimento de combustível. Segundo Trump, Zelensky ordenou ataques com drones de precisão em retaliação aos bombardeios de mísseis russos contra a Ucrânia, que se intensificaram. Quando a energia vira alvo de guerra, o preço do combustível sobe no mercado global, e o consumidor americano sente primeiro. É por isso que um confronto do outro lado do mundo aparece na tela do posto de gasolina em Ohio ou em Iowa.

Três dias antes, no dia 9 de outubro, Trump já tinha tentado conter o estrago. Ele assinou uma ordem afrouxando as sanções comerciais sobre o diesel russo, abrindo caminho para a venda, entrega e importação do combustível vindo da Rússia. O objetivo declarado era simples: aliviar os preços altos. A manobra, porém, jogou o combustível no centro da disputa política, porque significa recuar de uma pressão econômica contra Moscou justamente quando a guerra na Ucrânia se agravava.

A reação veio do próprio campo do presidente. No segundo e último debate senatorial da semana, a deputada federal Ashley Hinson e o deputado estadual Josh Turek foram perguntados sobre o tema e, apesar de adversários, os dois disseram que não apoiam a decisão de Trump de liberar o diesel russo. Ou seja: em plena campanha, candidatos de lados opostos rejeitam a saída escolhida pela Casa Branca. A sanção de 2014 em diante funcionava como um castigo econômico à Rússia; afrouxá-la para baratear o combustível soa para muitos eleitores como trocar a política externa por centavos na bomba.

O resultado é uma troca de culpas em tempo real. Trump aponta o dedo para Zelensky e para a escalada de ataques na Ucrânia; a oposição aponta para a flexibilização das sanções ao diesel russo. Os dois lados sabem que o americano médio decide o voto olhando o preço que aparece na bomba, e por isso a política externa virou propaganda de campanha.

Por que importa: O desfecho das eleições de 3 de novembro define quanto os Estados Unidos vão se envolver na guerra da Ucrânia e em que ritmo as sanções contra a Rússia serão mantidas ou afrouxadas. Isso muda o preço internacional do combustível, que chega ao Brasil na forma de diesel mais caro para caminhões, frete de comida e ônibus, e de gasolina na bomba. Com o dólar oscilando e o governo brasileiro calibrando a política de preços da Petrobras, o que os eleitores americanos decidirem em novembro termina refletindo no valor pago no tanque aqui.

Fontes