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Chips e IA: na disputa entre EUA, Taiwan e Coreia do Sul, até a Samsung precisa do rival taiwanês

TECNOLOGIA
Chips e IA: na disputa entre EUA, Taiwan e Coreia do Sul, até a Samsung precisa do rival taiwanês

A Samsung vai adotar o processo de fabricação de 3 nanômetros da taiwanesa TSMC para produzir as peças base das próximas memórias HBM que vão alimentar os chips de inteligência artificial da Nvidia. A informação é da Newsdata, divulgada pelo portal Firstpost. Se confirmada, a decisão marca uma mudança na estratégia da gigante sul-coreana, que é uma das poucas empresas do mundo capazes de fabricar semicondutores de ponta e passaria parte dessa produção para a maior concorrente.

Para entender o tamanho do recado, vale explicar as peças. HBM é a sigla para memória de alta largura de banda, a memória empilhada que dá velocidade aos chips de inteligência artificial. A "peça base" é a camada lógica que organiza esse empilhado. E o processo de 3 nanômetros é o tamanho dos transistores, quanto menor, mais eficiente o chip. Hoje a TSMC, empresa de Taiwan que fabrica chips sob encomenda para outras marcas, é a referência mundial nesse tipo de tecnologia. A Nvidia, por sua vez, é norte-americana e projeta os chips mais cobiçados do mundo, mas não tem fábricas próprias: ela encomenda a produção. Por isso, a Samsung recorrer à TSMC mostra que, mesmo sendo uma potência industrial, a empresa sul-coreana precisa de Taiwan para entregar o que a Nvidia pede.

Isso acontece num momento em que a cadeia de semicondutores deixou de ser só um assunto de mercado e virou questão de Estado. Estados Unidos, Taiwan e Coreia do Sul concentram etapas críticas da produção, e qualquer ruptura nessa corrente afeta empresas e governos no planeta inteiro. A Samsung tenta há anos desafiar a TSMC na fabricação de chips sob encomenda, mas enfrenta dificuldades técnicas e de escala. Ajudar a fabricar as peças da Nvidia dentro do parque da TSMC é uma forma de não ficar de fora do mercado que mais cresce, mesmo que isso signifique trabalhar ao lado do rival.

No outro lado da disputa, os gigantes da inteligência artificial correm para mostrar que sua influência crescente tem limite. A Anthropic, empresa dona do assistente de IA Claude, anunciou que vai destinar 5% de suas ações a um fundo de benefício público, uma entidade criada para devolver valor à sociedade. O fundo cresce conforme a empresa valoriza: a cada aumento de 50% no valor da companhia sobre uma referência inicial, o conselho pode destinar mais 2% das ações. O anúncio foi feito em 18 de outubro de 2026, antes da estreia da empresa na bolsa, que promete ser uma das maiores do setor. Depois disso, Elon Musk afirmou que também vai distribuir parte das ações de suas empresas ao público, numa jogada que o mercado leu como resposta à iniciativa da Anthropic.

Os dois movimentos são lados da mesma moeda. De um lado, a disputa física por fábricas, máquinas e processos de nanômetros, onde Samsung, TSMC e Nvidia se revezam entre parceria e competição. Do outro, a disputa pela narrativa de quem controla o futuro da inteligência artificial e em nome de quem ela é construída. Empresas de IA hoje valem fortunas e concentram poder de decisão sobre tecnologias que entram no trabalho, na educação e na comunicação. Oferecer uma fatia das ações ao público é uma forma de dizer que esse poder não pertence só aos acionistas. Mas o núcleo da questão continua o mesmo: quem domina a cadeia dos chips e o desenvolvimento da IA define as regras do jogo para os outros.

Por que importa: o Brasil não fabrica chips de ponta e importa a maior parte dos semicondutores que entram nos carros, celulares, geladeiras e máquinas industriais do país. Quando a produção global se reorganiza, como na Samsung e na TSMC, o efeito chega aqui na forma de prazo de entrega, câmbio e preço na loja. Vale ainda mais para a indústria automobilística brasileira, que já sofre com a falta de componentes eletrônicos. E a concentração da inteligência artificial em poucas empresas estrangeiras define quem cobra por esses serviços e quais regras valem para os dados dos brasileiros.

Fontes