Rússia e Ucrânia trocaram os golpes mais intensos contra infraestrutura energética nesta semana. Uma pessoa morreu e pelo menos 15 ficaram feridas na Rússia depois que a Ucrânia lançou mais de 1.000 drones contra depósitos de petróleo, centros logísticos e data centers no que foi uma das maiores investidas aéreas desde o início da guerra. Do lado ucraniano, ataques russos à rede elétrica também deixaram vítimas. As ofensivas recomeçaram após o fracasso de um cessar-fogo energético declarado unilateralmente pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e que durou poucos dias.
O duelo de ataques revela um paradoxo que define o conflito: a Rússia está ficando melhor em acertar alvos, mas não em derrotar a Ucrânia. Moscou expandiu seu arsenal de mísseis e drones de longo alcance e consegue ameaçar cada vez mais a infraestrutura ucraniana. No entanto, a capacidade de converter esses golpes em avanços territoriais decisivos segue limitada. O resultado é uma guerra de desgaste em que ambos os lados destroem recursos, mas nenhum conquista vantagem estratégica clara.
Para a Ucrânia, essa equação tem um agravante: o custo de manter a defesa vai pesar cada vez mais no orçamento. O portal Foreign Policy aponta que buracos no orçamento e condições econômicas difíceis vão obrigar Kiev a equilibrar cada vez mais suas contas conforme a guerra entra no quinto ano. O país depende pesadamente de ajuda militar europeia, mas os sinais de cansaço nos parceiros do continente se acumulam. Manter o ritmo atual de gastos será um desafio crescente.
No flanco diplomático, a tentativa de Trump de intermediar uma pausa energética fracassou rápido e deixou rastros. O governo americano defendeu uma isenção de sanções contra a Rússia como uma pausa de 60 dias, mas parlamentares dos EUA criticaram a medida. Scott Bessent, secretário do Tesouro americano, acusou países europeus de estarem financiando a guerra russa ao continuar comprando energia do Kremlin.
O cenário desenhado é o de um conflito que não encontra saída militar nem diplomática no curto prazo. Cada investida contra refinarias, oleodutos e redes elétricas encarece a conta da reconstrução que virá, seja lá quando for. Enquanto isso, o desgaste econômico vai corroendo a capacidade de ambos os lados de sustentar a luta no ritmo atual. A guerra segue sem vencedor, mas com um custo que cresce a cada semana.
Por que importa: O prolongamento do conflito entre dois dos maiores produtores de energia e grãos do mundo afeta diretamente o bolso brasileiro. A volatilidade nos preços de petróleo e combustíveis, impulsionada por ataques a infraestrutura energética, repercute na bomba de gasolina e na inflação. O Brasil também importa fertilizantes da Rússia e da região, o que encarece a produção agrícola nacional. Quanto mais durar a guerra sem solução, mais o mercado global de energia e alimentos segue sob pressão, com consequências concretas para quem vive longe do fronte.
