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Irã acelera apoio a rebeldes no Iêmen, mas eleição nos EUA trava resposta militar

ORIENTE MÉDIO
Irã acelera apoio a rebeldes no Iêmen, mas eleição nos EUA trava resposta militar

O Irã intensificou o envio de armas e apoio técnico aos rebeldes hutis no Iêmen, que responderam com uma onda de ataques contra cidades sauditas. Enquanto isso, os Estados Unidos, principal aliado da Arábia Saudita na região, seguram uma possível intervenção militar direta até pelo menos o final das eleições de meio de mandato. A escalada no conflito, portanto, está diretamente amarrada ao calendário eleitoral americano.

A guerra no Iêmen, travada há quase uma década, opõe o governo reconhecido internacionalmente, apoiado por uma coalizão liderada pela Arábia Saudita, ao movimento hutis, que controla a capital e o norte do país. O Irã, principal rival regional da Arábia Saudita, vê nos hutis um parceiro estratégico para desgastar Riad. As novas remessas de mísseis e drones de fabricação iraniana permitiram que os hutis atacassem alvos dentro da Arábia Saudita com maior precisão e alcance, elevando a pressão sobre o reino.

Apesar dos apelos do príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, por um apoio mais incisivo, o presidente Donald Trump tem evitado um envolvimento militar direto dos EUA. Analistas do Washington Institute, think tank americano, avaliam que a Casa Branca pode anunciar após as eleições de novembro que "está de acordo em realizar alguns bombardeios muito específicos e muito direcionados ao lado dos sauditas", como declarou a especialista Liz Dent. A hesitação atual, no entanto, é política.

Para Washington, cada eleição de meio de mandato funciona como um referendo sobre o presidente. "Toda eleição de meio de mandato é um referendo sobre o presidente, e não é incomum que o partido do presidente seja punido nas urnas", recorda o analista John Feehery, da Al Jazeera. Aumentar o envolvimento em um conflito no exterior, com o risco de baixas e custos elevados, é uma aposta arriscada para um governo que já enfrenta desgaste doméstico. A paralisia em Washington, portanto, é o que permite que Teerã aumente suas apostas no Golfo.

O Irã testa os limites do sistema de defesa saudita e a paciência americana, sabendo que o calendário eleitoral oferece uma janela de oportunidade. A ofensiva hutis não é apenas militar, mas um sinal de que Teerã está disposta a usar seus proxies para pressionar seus rivais justamente quando o xerife global está distraído com seus próprios problemas internos.

Por que importa: O Iêmen fica no Bab al-Mandab, um dos estreitos mais importantes do mundo, por onde passa uma parte significativa do petróleo e do comércio global. Uma escalada no conflito ameaça o tráfego de navios-tanque, o que pode causar um aumento súbito no preço do barril de petróleo. Para o Brasil, que importa derivados, um barril mais caro significa pressão direta na inflação, no custo do frete e, no fim do mês, no bolso de quem abastece o carro ou faz as compras no supermercado.

Fontes