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Chips de guerra: conflito com o Irã empurra o Golfo pra tecnologia americana de IA, e startup tenta derrubar a Nvidia

TECNOLOGIA
Chips de guerra: conflito com o Irã empurra o Golfo pra tecnologia americana de IA, e startup tenta derrubar a Nvidia

A guerra no Oriente Médio está virando um empurrão pra corrida da inteligência artificial. Países do Golfo, como Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita, não abandonaram seus planos de investir em centros de dados e chips, e a pressão do conflito com o Irã pode acelerar os aportes, não freá-los. No mesmo movimento, a startup americana Tenstorrent anunciou que captou 1,5 bilhão de dólares numa rodada de investimento para se firmar como alternativa à Nvidia, a empresa que hoje domina o mercado dos chips usados pela inteligência artificial.

A tese apareceu num painel do Middle East Institute, grupo de estudos americano dedicado às relações internacionais, apresentado pelo jornal The National News. O pesquisador sênior Ahmed Soliman argumentou que a guerra contra o Irã tende a levar Emirados e Arábia Saudita a investir mais em inteligência artificial, não menos. E arrematou com uma frase que resumiu a mesa: "War is a function of compute" ("guerra é uma função do poder de computação"). A ideia é direta: hoje, quem tem mais capacidade de processamento de dados tem vantagem na guerra, tanto pra analisar imagens de satélite em minutos quanto pra coordenar defesa aérea em tempo real.

O raciocínio econômico dos países do Golfo continua o mesmo de sempre. Eles querem transformar a riqueza do petróleo em outras fontes de renda, e a tecnologia é o carro-chefe desse plano. A responsável pela política global da Nvidia, Ruth Berry, disse que os planos não mudaram com o conflito: "The imperatives these countries see have not changed, they still see it as an opportunity to diversify their economies" ("Os imperativos que esses países enxergam não mudaram; eles ainda veem a tecnologia como uma oportunidade de diversificar suas economias"). A Nvidia, vale explicar, é a fabricante dos chamados chips de GPU, peças que funcionam como cérebros artificiais: sem elas, nenhum grande modelo de inteligência artificial roda. A empresa praticamente monopoliza esse mercado.

É aí que entra a Tenstorrent, fundada por Jim Keller, um dos engenheiros mais respeitados do mundo dos computadores, famoso por ter desenhado processadores usados em máquinas da Apple e da Tesla. A startup captou 1,5 bilhão de dólares numa rodada liderada por Trace Capital e Innovation X com o objetivo de construir um ecossistema aberto de computação: em vez de vender chips fechados que só funcionam com o software da própria empresa, como faz a Nvidia, ela quer oferecer uma plataforma que qualquer fabricante possa usar e adaptar. A conta é simples: se mais empresas produzem chips compatíveis entre si, o preço cai e o monopólio perde força.

Há um segundo fator que acelera tudo isso. Relatos de apoio chinês ao Irã, se confirmados, mexem com a engrenagem: os países do Golfo leem o episódio como sinal de que precisam se amarrar à tecnologia americana para não depender de um rival estratégico. Nesse cenário, inteligência artificial deixa de ser só negócio e vira ferramenta de defesa, e a escolha de quem fornece os chips passa a ser uma decisão de segurança nacional.

Por que importa: pra o Brasil, a disputa aparece de duas formas concretas. A primeira é na bomba de gasolina: o país importa petróleo e gás de países do Golfo, e qualquer escalada do conflito com o Irã joga o preço do barril pra cima, o que repassa pro combustível e pros alimentos transportados. A segunda é no bolso eletrônico: celulares, computadores e servidores vendidos aqui dependem de chips estrangeiros, e uma guerra comercial por eles tende a encarecer tudo que o brasileiro compra com circuito dentro.

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