Olh no Mundo
Geopolítica & Economia
O Essencial de Hoje +++
Brent em US$ 111.31/bbl·Brent em US$ 111.31/bbl·
Geopolítica·2 min de leitura

Drones baratos chegam a guerras esquecidas

GEOPOLÍTICA
Drones baratos chegam a guerras esquecidas

No mesmo dia, dois ataques com drones mataram dezenas de pessoas em conflitos que raramente ganham as manchetes. Na área disputada entre Sudão e Sudão do Sul, um ataque aéreo não tripulado deixou um número ainda não confirmado de mortos, segundo um ministro local. Horas depois, rebeldes houvis atingiram um campo de treinamento militar no Iêmen, matando 58 pessoas, conforme o governador da região.

Os dois episódios ilustram uma transformação silenciosa nas guerras ao redor do mundo. Drones, que há poucos anos exigiam investimentos de milhões de dólares e só estavam ao alcance de grandes potências militares, agora são fabricados com peças comerciais de fácil acesso. Isso permite que grupos armados, milícias e movimentos insurgentes em conflitos periféricos usem a tecnologia com custo baixo e letalidade alta.

A disputa entre Sudão e Sudão do Sul gira em torno de regiões fronteiriças ricas em petróleo, área onde a presença estatal é frágil e a mediação internacional, limitada. No Iêmen, a guerra civil entre o governo apoiado por uma coalizão liderada pela Arábia Saudita e os houvis, ligados ao Irã, já dura quase uma década. Em ambos os casos, os drones mudaram a dinâmica do conflito: quem antes dependia de emboscadas terrestres agora consegue atingir alvos à distância com precisão e sem arriscar combatentes.

O fenômeno não se limita a essas duas guerras. O uso de drones por grupos armados em conflitos africanos e do Oriente Médio cresceu de forma acelerada nos últimos anos, com tecnologia cada vez mais acessível vindas de fabricantes comerciais. Para milícias e grupos insurgentes, uma aeronave não tripulada de custo relativamente baixo substitui o que antes exigiria um arsenal convencional caro e difícil de obter.

A proliferação acontece num momento em que a comunidade internacional tem pouca capacidade ou vontade política de intervir. Conflitos no Sudão e no Iêmen recebem fração da atenção dedicada a guerras como a da Ucrânia ou o confronto entre Israel e o Hamas. Na prática, isso significa menos pressão diplomática e mais espaço para que as partes escalonem a violência, agora com ferramentas mais baratas e acessíveis.

Por que importa: guerras periféricas que parecem distantes podem afetar o Brasil por caminhos indiretos. A instabilidade no Sudão e no Iêmen compromete rotas de comércio pelo Mar Vermelho e pelo Chifre da África, por onde passam navios que abastecem portos brasileiros. O prolongamento desses conflitos também pressiona os preços do petróleo e do frete internacional, custos que chegam ao bolso do brasileiro no preço dos combustíveis e dos produtos importados.

Fontes