O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a atacar verbalmente o líder ucraniano Volodymyr Zelensky nesta segunda-feira, em meio à guerra que entra no terceiro ano. Enquanto a Rússia mantém seus bombardeios sobre cidades ucranianas, a pressão política de Washington se deslocou de Moscou para Kiev, sinalizando uma mudança de tom que enfraquece a posição negociadora da Ucrânia e reabre dúvidas sobre o futuro do apoio ocidental ao país.
A escalada no conflito verbal entre Trump e Zelensky atingiu um novo ponto alto, segundo o correspondente Nick Schifrin, da PBS News. O presidente americano voltou a "excoriar" o líder ucraniano, exercendo uma pressão sobre ele que não aplica sobre Vladimir Putin, o homem em Moscou que ordenou a invasão. As declarações surgem após os EUA terem recentemente limitado o fornecimento de uma tecnologia-chave da qual a Ucrânia depende para se defender.
O movimento faz parte de uma postura mais ampla de Washington que beneficia o Kremlin. O governo Trump não apenas criticou Zelensky, mas também concedeu à Rússia isenções em sanções internacionais, como aponta a revista U.S. News & World Report. Essa convergência de ações, ao isolar politicamente Kiev, fortalece a posição de Moscou na mesa de negociações e enfraquece a aliança entre os Estados Unidos e a Ucrânia, que caminha para um ponto de ruptura.
Para a Ucrânia, o cenário é de duplo cerco. No campo de batalha, enfrenta ataques mortais. Na diplomacia, vê seu principal aliado ocidental mudar o foco da culpa de quem iniciou a guerra para quem a sofre, desgastando a narrativa de defesa soberana que sustenta o esforço de guerra. Analistas indicam que essa postura americana pode levar Kiev a ceder em negociações futuras, em condições menos favoráveis.
Por que importa: A instabilidade no Leste Europeu continua afetando diretamente o bolso dos brasileiros. Conflitos prolongados que envolvem grandes produtores de energia, como a Rússia, mantêm os preços internacionais do petróleo e do gás natural elevados. Isso pressiona a inflação no Brasil, afeta o custo dos combustíveis nas bombas e pode complicar os planos do governo para controlar os preços e a economia doméstica.
