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Fome como arma: cercada no Iêmen, Taiz entra em famine e ataque saudita mata 13

ORIENTE MÉDIO
Fome como arma: cercada no Iêmen, Taiz entra em famine e ataque saudita mata 13

A cidade de Taiz, no sul do Iêmen, está em famine, segundo o governador local, enquanto um ataque aéreo saudita matou ao menos 13 pessoas na região oeste da cidade. O cerco imposto pelos rebeldes hutis cortou o acesso a comida, água e remédios, e a ONG Human Rights Watch alertou que o bloqueio pode configurar um crime de guerra. A acusação é grave: usar a fome como método de combate é proibido pelo direito internacional, mesmo em tempo de guerra.

Taiz é um dos grandes símbolos da guerra iemenita, que vive um dos piores desastres humanitários do planeta. A cidade, com centenas de milhares de habitantes, está cercada por combatentes hutis desde 2015. Quem entra e sai passa por postos de controle que funcionam como uma torneira: abrem quando querem, fecham quando querem. O resultado é uma cidade que sufoca sem que os bombardeios diretos sejam a principal arma. O cerco em si virou o ataque.

Para entender quem é quem, vale um resumo. Os hutis são um grupo xiita apoiado pelo Irã que tomou a capital Sana em 2015 e derrubou o governo reconhecido internacionalmente. A resposta veio de uma coalizão liderada pela Arábia Saudita, que apoya esse governo e bombardeia o país desde então. Taiz ficou no meio do fogo cruzado e virou um dos palcos mais brutais do conflito, com cerco terrestre dos hutis e ataques aéreos da coalizão saudita.

O ataque de segunda-feira atingiu a região oeste da cidade e matou pelo menos 13 pessoas. Detalhes sobre as vítimas, incluindo se havia civis entre elas, ainda não foram divulgados com clareza. A Arábia Saudita não se manifestou de forma detalhada sobre o caso. O que se sabe é que os bombardeios na área acontecem de forma recorrente, num contexto em que a população civil não tem para onde fugir.

A fome, porém, é mais lenta e silenciosa que uma bomba. Quando estradas são fechadas e mercados ficam sem abastecimento, a desnutrição avança entre crianças, idosos e doentes crônicos. Hospitais sem remédios e sem água potável perdem a capacidade de salvar vidas mesmo quando não são atingidos diretamente. É esse mecanismo que a Human Rights Watch apontou como potencial crime de guerra, ao afirmar que o bloqueio hutis pode configurar o uso da fome como método de combate. Na prática, a acusação diz que a escassez não é efeito colateral da guerra, mas tática deliberada.

O Iêmen já vive o que diversas organizações descrevem como uma das maiores crises alimentares do mundo, com milhões de pessoas dependendo de ajuda humanitária para comer. A declaração do governador de Taiz coloca a cidade dentro desse mapa extremo, agora com um selo oficial. E a combinação entre cerco terrestre dos hutis e ataques aéreos da coalizão saudita deixa a população presa nos dois lados.

Por que importa: O Iêmen não é um beco geopolítico esquecido. Ele fica na borda do Golfo de Aden, uma das rotas de navegação mais movimentadas do planeta, por onde passa boa parte do petróleo e do gás que circulam entre a Ásia e a Europa. Qualquer escalada nessa região mexe no preço do petróleo no mercado global, e isso chega ao Brasil em forma de dólar mais caro no importado, de custo de transporte nas estradas e, no fim da linha, de preço na bomba de gasolina. Além disso, o país recebe ajuda humanitária internacional cujos recursos, quando desviados ou escassos por causa de guerras como essa, pressionam os orçamentos de agências que também atuam na Amazônia e em outras regiões pobres brasileiras.

Fontes