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O custo invisível das guerras: 120 mil golfinhos e as viúvas do Iêmen

GEOPOLÍTICA
O custo invisível das guerras: 120 mil golfinhos e as viúvas do Iêmen

Mais de 120 mil golfinhos morreram no Mar Negro desde que a guerra entre Rússia e Ucrânia passou a dominar o mar, vítimas de minas navais e da destruição do ecossistema. No Iêmen, uma guerra ainda mais longa deixa famílias enlutadas e sem renda para se manter. Nos dois casos, o resultado é o mesmo: quando o combate se prolonga, o que parecia dano de passagem vira tragédia sem data para terminar.

O Mar Negro virou área de guerra naval e a água ficou cheia de perigo. Minas à deriva, restos de mísseis derrubados e explosões atingem os animais que vivem ali, e o estrago ambiental não é contado em mapas de fronteira. Os golfinhos, que dependem do mar limpo e do silêncio para caçar e se orientar, pagam a conta primeiro. O número das mortes mostra a dimensão do desastre: são mais de 120 mil animais, uma população inteira sumindo em um mar de guerra.

O problema é que esse tipo de dano não aparece nas manchetes militares. Os governos publicam quilômetros de território conquistado, navios afundados e mísseis disparados, mas ninguém publica a contagem de golfinhos mortos ou de cardumes que sumiram. O mar sujo e vazio continua ali, longe do noticiário, enquanto a guerra avança no mapa. É um preto no branco que ninguém assina e que fica para depois, quando já é tarde para reverter.

No Iêmen, o mesmo retrato aparece dentro de casa. O número de mortos na guerra segue subindo, e cada baixa é um marido, um pai ou um filho que sustentava a família. As viúvas e os filhos dos combatentes perdem a renda do mês e, junto com ela, a comida, a escola e a casa. Não é só luto: é a conta que chega no dia seguinte do enterro, quando percebem que a pessoa que pagava as despesas não volta mais. Muitas dessas mulheres ficam sem nenhum apoio para recomeçar.

É a mesma causa vista por dois ângulos diferentes. No Mar Negro, o dano ecológico cresce porque a guerra continua; no Iêmen, a pobreza se instala porque a morte se repete ano após ano. Enquanto o conflito durar, cada semana de combate acrescenta golfinhos mortos e famílias sem sustento. A guerra curta deixa um rastro; a guerra longa muda a vida de quem ficou, do animal ao sobrevivente.

Por que importa: o Mar Negro é uma das grandes rotas de grãos do mundo, e quando a guerra ali aperta, o preço de alimentos e fertilizantes sobe e chega ao mercado brasileiro, no prato e na conta do mês. A guerra do Iêmen mostra a outra cara do mesmo problema: conflito que não acaba transforma pobreza em rotina, e essa fatura também escapa para fora, no preço do que se come e na instabilidade que afeta o comércio do Brasil com o mundo.

Fontes