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Oriente Médio·2 min de leitura

20 ataques no Iêmen e explosões na Síria: a violência que escapa das guerras de manchete

ORIENTE MÉDIO
20 ataques no Iêmen e explosões na Síria: a violência que escapa das guerras de manchete

O governo iemenita disparou 20 ataques contra posições Houthi na província de Taiz, enquanto explosões atingiram o aeroporto militar de Taftanaz, no noroeste da Síria, enviando fumaça para o céu. Os dois eventos, separados geograficamente mas sincronizados no tempo, revelam um padrão perigoso: dois Estados já fragilizados por guerras civis viraram campo de batalha para múltiplos atores armados que disputam influência regional sem trégua visível.

A Síria e o Iêmen não são novidade em mapa de conflitos. O problema é que agora a violência não segue mais as linhas claras de um governo contra insurgentes. No Iêmen, o governo enfrenta os Houthi (grupo apoiado pelo Irã) há oito anos, mas a luta mudou de padrão: em vez de confronto frontal, há ataques cirúrgicos e pulverizados. Na Síria, Taftanaz é um aeroporto militar estratégico, e as explosões sugerem ação de múltiplos atores (Israel, resistência síria, grupos jihadistas) que já não se coordenam e competem pelo espaço de poder no país devastado.

O que diferencia esse cenário de uma guerra civil simples é a sobreposição de conflitos. O Iêmen não é só uma luta entre governo e Houthi. É também terreno onde Emirados Árabes Unidos apoiam milícias locais, onde grupos jihadistas operam nas margens, onde potências externas financiam facções rivais que fingem fidelidade a um governo de facto fraco. Na Síria, o aeroporto de Taftanaz é ponto de passagem entre áreas controladas pelo governo sírio e zonas de influência turca e de grupos armados apoiados externamente. Cada explosão ali é uma mensagem de um ator para outro, sem diálogo direto.

Negociar paz em cenário assim é quase impossível. Quando há vinte atores armados em um Estado, não basta um acordo entre dois. O governo iemenita, por exemplo, não controla sequer metade do seu próprio país. Qualquer trégua que assine será ignorada por grupos que não participaram da negociação. Na Síria, o governo de Bashar al-Assad recuperou território mas não recuperou soberania: o país é dividido entre zonas de influência de potências estrangeiras que usam grupos locais como peças de xadrez.

O resultado é estabilidade de fachada e instabilidade crônica. Iêmen e Síria não explodem de um dia para outro porque nenhum ator tem força para vitória completa. Mas também não descansam porque nenhum ator está disposto a largar suas posições. Os ataques continuam, civis sofrem, infraestrutura desaba, e o Estado murcha por dentro.

Por que importa: Síria e Iêmen controlam rotas críticas de comércio global. Navios que saem do Golfo Pérsico passam por águas próximas ao Iêmen, e a Síria fica no caminho de gás e petróleo que vêm do Oriente Médio para a Europa. Quando esses países viram zonas de conflito pulverizado, o risco de interrupção de suprimentos cresce, e o preço do frete sobe. Para o Brasil, isso significa diesel mais caro nas bombas (porque frete encarece) e gás de cozinha mais caro nas panelas (porque a importação fica mais cara). Inflação, em poucas palavras.

Fontes