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Golfo: Washington aposta na força para manter o gás fluindo

ENERGIA
Golfo: Washington aposta na força para manter o gás fluindo

Os embarques de gás natural liquefeito pelo Estreito de Ormuz atingiram em setembro o maior volume desde o início da tensão EUA-Irã, segundo a Reuters. No mesmo mês, o Pentágono anunciou o posicionamento de três porta-aviões e duas unidades de desembarque anfíbio nas proximidades do Irã até o final de novembro, além de 10 mil soldados extras na região. A coincidência não é acaso: é a estratégia americana em duas frentes, garantir que o petróleo e o gás fluam enquanto sufoca a economia iraniana.

O Estreito de Ormuz é o gargalo do mundo energético. Por ali passa um quinto do petróleo e do gás natural consumido globalmente. Quando a tensão sobe, os mercados tremem. O Irã ameaça bloquear a passagem, a indústria de energia segue em alerta máximo, e o preço nas bombas de todo o mundo reage. Desde 2020, com a saída dos EUA do acordo nuclear iraniano, essa dança se repetem, sanções americanas apertam, o Irã bravata fechar o estreito, e Washington reforça sua presença militar para deixar claro que não vai permitir.

O fato de os embarques de gás terem voltado ao pico apesar da escalada indica que, por enquanto, a estratégia está funcionando. Os investidores e operadores de navios creem que a Marinha americana conseguirá proteger a rota, mesmo com riscos crescentes. A presença de três porta-aviões simultâneos é raridade em tempos de paz relativa, é o tipo de demonstração de força que Washington usa para sinalizações políticas de alto nível. A mensagem para o Irã é direta: tente fechar o estreito e enfrente o maior poder militar do planeta.

Mas a lógica é mais refinada. Ao mesmo tempo que garante a passagem à força, Washington estrangula a economia iraniana via sanções. O Irã, produtor de petróleo considerável, vê sua exportação bloqueada pelos EUA. Assim, enquanto o mercado global segue abastecido (e os EUA e aliados ganham), Teerã fica isolado. É controle militar casado com isolamento econômico.

O risco é que essa pressão constante acabe quebrando em confronto direto. O Irã não tem poder naval convencional para desafiar a Marinha americana, mas tem mísseis, drones e proximidade geográfica. Um incidente, um ataque iraniano a um navio, um acidente interpretado como provocação, poderia virar cenário de escalada. Por enquanto, ambos os lados parecem optar por manutenção do status quo tenso.

Por que importa: O Brasil importa gás natural liquefeito, especialmente para a indústria e geração de energia. Qualquer bloqueio ou aumento de tensão no Estreito de Ormuz dispara o preço do gás no mercado global, afetando contas de energia de indústrias brasileiras e, indiretamente, inflação e competitividade. Além disso, a presença americana reforça a dependência de Washington como garantidor de rotas comerciais globais, fato que estrutura alianças, mas também limita margem de manobra diplomática para potências médias como o Brasil.

Fontes