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Gaza um ano depois: enquanto o Ocidente se afasta de Netanyahu, a Índia se aproxima

ORIENTE MÉDIO
Gaza um ano depois: enquanto o Ocidente se afasta de Netanyahu, a Índia se aproxima

Israelis se reuniram nesta quarta-feira (7) para lembrar o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que matou 1.200 pessoas e sequestrou 251 reféns. Um ano depois, o conflito que aquele ataque desencadeou deixou grande parte de Gaza em ruínas, e o preço político já se divide em duas contas opostas: o isolamento diplomático de Binyamin Netanyahu junto a aliados tradicionais e a aproximação inédita da Índia de Narendra Modi com Tel Aviv.

Para marcar a data, famílias dos sequestrados e comunidades atingidas no sul de Israel fizeram vigílias e cerimônias de luto. O ataque de 7 de outubro de 2023 foi o pior massacre de judeus desde o Holocausto e transformou a política interna israelense. A guerra que se seguiu, porém, arrasou Gaza: bairros inteiros viraram escombros, hospitais e escolas deixaram de funcionar e milhões de palestinos foram deslocados de suas casas, muitos mais de uma vez. Nenhum acordo para a libertação dos reféns restantes foi fechado.

O isolamento de Netanyahu é o outro lado dessa moeda. Países que historicamente respaldaram Israel, na Europa e em outros continentes, passaram a criticar publicamente a condução da guerra e a pressionar por um cessar-fogo. O desgaste é tão grande que pesa sobre a própria reputação internacional de Israel, construída ao longo de décadas de domínio sobre os palestinos.

É nesse vazio que entra a Índia. Sob Modi, Nova Deli acelerou uma virada que já vinha acontecendo nos bastidores: abraçou Israel como parceiro estratégico enquanto o Ocidente recuava. Para Netanyahu, o gesto vale ouro. Uma potência com centenas de milhões de consumidores e peso diplomático próprio oferece o que a Europa já não entrega: legitimidade internacional e um mercado aberto. Enquanto governos europeus anunciam sanções e suspensões de venda de armas, a Índia mantém e aprofunda os acordos.

A aproximação tem explicação prática. Israel é hoje um dos principais fornecedores de tecnologia militar e de sistemas de vigilância para a Índia, que disputa a liderança regional com o Paquistão e tem fronteiras tensas com a China. Para Modi, o governo mais hinduísta já eleito na história do país, aliar-se a um outro governo conservador e nacionalista é também uma mensagem interna. A guerra em Gaza, que dividiu o Ocidente, serviu de catalisador para selar essa parceria.

Por que importa: o realinhamento muda quem tem voz nas decisões que afetam o preço da energia no mundo. Se Israel e a Índia se tornam um eixo comercial e militar firme, cresce o peso de potências que não gravitam em torno de Washington nem de Bruxelas. Para o Brasil, isso significa que as regras do comércio internacional e o custo do petróleo e do gás que o país importa passam a ser negociadas por um grupo maior de países, nem todos aliados históricos de Brasília. O bolso brasileiro sente essa mudança no preço na bomba e na inflação do supermercado.

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