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Rússia e EUA disputam venda de gás para a Europa no meio da guerra

ENERGIA
Rússia e EUA disputam venda de gás para a Europa no meio da guerra

Enquanto bombas seguem caindo na Ucrânia, os dois lados do conflito tentam vender gás para a mesma cliente: a Europa. Segundo fontes ouvidas pela Reuters em reportagem exclusiva, Estados Unidos e Rússia estão explorando, em paralelo, negócios de venda de gás natural ao continente europeu. A movimentação coincide com ataques como o que atingiu um ônibus lotado em uma cidade da linha de frente ucraniana, mostrando que a guerra está longe de terminar.

A Europa era a grande compradora de gás russo antes de Moscou lançar a invasão em larga escala da Ucrânia, em fevereiro de 2022. Gasodutos que cruzavam o território ucraniano e o mar Báltico levavam combustível russo diretamente para fábricas, usinas e residências europeias. Quando a guerra estourou, o continente acelerou a substituição: comprou mais gás liquefeito, transportado de navio, e os Estados Unidos se tornaram um dos principais fornecedores. A Ucrânia acusou a Rússia de atacar o ônibus na cidade de frente com o objetivo de matar o maior número possível de civis.

Agora, porém, os dois lados querem o mercado europeu ao mesmo tempo. Para a Rússia, retomar vendas de energia significa recuperar uma das maiores fontes de receita do Kremlin e manter influência política sobre a Europa. Para os Estados Unidos, manter a fatia conquistada garante bilhões em exportações e reforça a aliança com o continente. A disputa energética, nesse cenário, não é só comercial: é uma extensão da guerra por outros meios.

A situação fica ainda mais delicada porque a Europa depende de importação para abastecer sua indústria e aquecer suas casas no inverno. Se Moscou conseguir reabrir a torneira do gás, países europeus mais dependentes, como Alemanha e Itália, podem ser tentados a voltar a comprar combustível russo. Isso enfraqueceria as sanções econômicas impostas desde o início do conflito e daria oxigênio financeiro à máquina de guerra do Kremlin.

Por que importa: A disputa pelo gás europeu tem efeito direto no bolso do brasileiro. Quando os preços de energia sobem na Europa, o mundo inteiro compete pelo mesmo gás liquefeito que o Brasil também importa. Isso pressiona o preço do gás e da energia elétrica aqui, alimenta a inflação e afeta desde a conta de luz até o custo de produzir alimentos. A instabilidade energética global também faz o dólar oscilar, e o câmbio pesa no preço de tudo que entra e sai do país.

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