Os rebeldes hutistas do Iêmen, apoiados pelo Irã, reivindicaram ataques a dois aeroportos na Arábia Saudita, matando três pessoas e sinalizando uma escalada perigosa que ameaça arrastar mais países para a guerra. Os alvos foram o aeroporto de Abha, no sudoeste do país, e o Aeroporto Internacional Rei Khalid, na capital, Riad. As vítimas incluem cidadãos marroquinos, argelinos e sudaneses, segundo autoridades sauditas.
O ataque é a resposta mais recente ao envolvimento da Arábia Saudita na guerra civil do Iêmen, onde uma coalizão liderada por Riad luta há anos contra os hutistas, que controlam a capital, Sana. O grupo afirma que os ataques são retaliação aos bombardeios sauditas no Iêmen. Em resposta, a coalizão saudita informou que interceptou um míssil lançado pelos hutistas e destruiu uma plataforma de lançamento em Sana.
O episódio eleva o risco de uma confrontação direta entre a Arábia Saudita e o Irã, já que Riad vê os hutistas como um procurador militar de Teerã. A tensão se soma a um tabuleiro geopolítico mais amplo de disputa entre Estados Unidos e Irã na região. Analistas apontam que o Irã usa o conflito no Iêmen para pressionar seus rivais e desviar atenção de suas próprias crises internas e do programa nuclear.
A situação no terreno, no entanto, não é estática. A coalizão saudita tenta retomar áreas estratégicas no Iêmen, intensificando os combates. Isso revive a guerra civil, que já matou dezenas de milhares e deslocou milhões. Um sinal de como o conflito pode se expandir veio da Síria: o governo de Damasco, aliado do Irã, está considerando enviar ajuda militar aos hutistas, o que internacionalizaria ainda mais o conflito.
Por que importa: A instabilidade no Golfo Pérsico afeta diretamente o bolso do brasileiro. A Arábia Saudita é o maior exportador de petróleo do mundo. Qualquer risco de interrupção no fornecimento, ou mesmo um aumento da tensão na região, faz o preço do barril subir. Isso encarece a gasolina, o diesel e o gás de cozinha nas bombas brasileiras. Além disso, o Brasil importa fertilizantes do Oriente Médio; um conflito prolongado pode elevar seus custos e pressionar a inflação no campo e na cidade.
