A eleição parlamentar de Israel, realizada em 27 de outubro, é o primeiro voto nacional desde o ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023 e a primeira grande oportunidade de troca de governo no país desde então. Para Nova Déli, isso não é só política interna de um parceiro distante: é um teste sobre a força da relação entre Índia e Israel, que nos últimos anos cresceu em defesa, tecnologia e diálogo estratégico.
O centro da campanha israelense, porém, está dentro de Israel. O debate público gira em torno das falhas de segurança que precederam o ataque de 2023, das guerras que vieram depois e das perguntas sobre responsabilidade. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que comanda a política israelense há décadas, também responde a um julgamento por corrupção que corre em paralelo ao mandato. Ou seja, o eleitor israelense escolheu um governo em meio a uma conta de segurança por pagar e a uma conta política também em aberto.
É aí que Nova Déli entra com um olhar próprio. A Índia construiu com Israel, sob Netanyahu, uma parceria que foi além do comum: compra de equipamentos militares, cooperação em cibersegurança e tecnologia, troca de delegações e um alinhamento político cada vez mais explícito em fóruns internacionais. O site The Diplomat resume a dúvida indiana de forma direta: para Nova Déli, a pergunta central da eleição israelense é se a cooperação bilateral tem força suficiente para sustentar o ritmo sob um governo diferente em Jerusalém.
O detalhe que importa: a parceria indiana com Israel não nasceu com Netanyahu, mas cresceu muito com ele. Se o próximo governo israelense tirar a segurança e o comércio de armas da lista de prioridades, ou se enfrentar pressão doméstica por cortar vínculos vistos como polêmicos, parte desse impeto pode esfriar. Se, ao contrário, a relação sobreviver à troca de primeiro-ministro, ela se firma como algo maior que um acordo entre líderes: uma aliança institucional.
A eleição israelense, por isso, também é uma eleição sobre alianças asiáticas. Israel precisa de parceiros comerciais e diplomáticos fora do Ocidente, e a Índia, com mais de um bilhão de habitantes e um mercado de defesa e tecnologia em expansão, é um dos nomes mais interessantes nessa lista. Do lado indiano, o cálculo é parecido: Israel entrega tecnologia e capacidade militar que poucos países oferecem, e Nova Déli não quer depender de um único fornecedor.
Por que importa: o Brasil acompanha Israel e a Índia como parceiros comerciais, mas olha a eleição israelense com atenção por causa do efeito cascata: um governo instável em Jerusalém mantém o Oriente Médio em temperatura alta, o que mexe com o preço do petróleo, com o prêmio de risco dos países emergentes e com o dólar no bolso do brasileiro. Além disso, a direção que Israel escolher em tecnologia e defesa define quem vai disputar, com a Índia, fatias de mercado onde o Brasil também é comprador.
