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Eleições americanas: o voto de novembro pode redesenhar guerras, petróleo e a corrida da inteligência artificial

GEOPOLÍTICA
Eleições americanas: o voto de novembro pode redesenhar guerras, petróleo e a corrida da inteligência artificial

Nas eleições de 3 de novembro nos Estados Unidos, política externa entra como tema central de uma disputa que costuma ser decidida no bolso. Eleitores estão dizendo a pesquisadores que estão irritados com os preços na bomba, que subiram mais de um terço desde o começo do ano, e muitos deles culpam o presidente Donald Trump pela decisão de atacar o Irã. O resultado, portanto, decide algo raro: o rumo de guerras e regras globais a partir do voto interno.

Esse é o ponto que transforma a eleição de meio de mandato (as chamadas "midterms", quando são renovados parte da Câmara e do Senado, além de governos estaduais) em pleito com efeitos mundiais. Se os democratas vencerem com folga, eles assumem o controle do Congresso e passam a ter poder real de bloquear verbas, abrir investigações e travar nomeações do presidente. Na prática, o governo Trump enfrentaria oito anos de divisão de poder com uma oposição dona das chaves do orçamento e do dinheiro das guerras.

O efeito mais imediato seria sobre o Irã. A guerra americana contra o país árabe é justamente o que aparece na lista de queixas dos eleitores, e um Congresso democrata tenderia a cortar ou condicionar o financiamento das operações, forçando o governo a negociar em vez de apenas atacar. Com Trump enfraquecido no território, Washington passaria a depender mais dos aliados, e menos do braço militar solto.

O segundo campo seria a Ucrânia, onde o apoio americano aos ucranianos contra a invasão russa já é motivo de disputa dentro do próprio Partido Republicano. Um Congresso democrata costuma ser mais favorável a manter armas e ajuda indo para Kiev, e mais disposto a exigir transparência sobre para onde esse dinheiro vai. Os republicanos, por sua vez, vêm questionando se a ajuda vale o custo doméstico. A eleição decide qual visão prevalece.

A terceira frente surpreende quem pensa que política externa é só guerra e petróleo: a regulação da inteligência artificial. Estados Unidos e China disputam quem comanda a tecnologia que já muda o mercado de trabalho, a indústria e a segurança dos países. Um Congresso democrata seria mais propenso a impor regras de transparência, proteção de dados e controle sobre o uso militar da tecnologia, algo que hoje avança pouco com o governo Trump avançando na desregulação. A análise da revista Foreign Policy lista ainda alianças militares, com a OTAN, organização de defesa ocidental liderada pelos EUA, e o tema da corrupção entre os cinco pontos que um Congresso democrata colocaria na mesa.

Nada disso acontece sem resistência. O presidente ainda controla a política externa diretamente, nomeia embaixadores e decide onde as tropas vão. Um Congresso democrata não muda isso da noite para o dia. Muda o dinheiro, a pressão e a narrativa: o presidente passa a governar com um guarda-chuva aberto sobre a cabeça, obrigado a explicar cada gasto e cada morte.

Por que importa: No Brasil, o resultado se sente primeiro na bomba de gasolina. A guerra no Irã mexe no preço do petróleo, e o Brasil segue dependendo do dólar e do petróleo para montar seus preços. Um Congresso democrata que freie a guerra pode derrubar o barril e aliviar a inflação de alimentos e frete que chega ao mercado brasileiro. De quebra, a regulação da inteligência artificial afeta diretamente a indústria brasileira de tecnologia, que exporta serviços e segue as regras que Washington e Pequim estabelecerem.

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