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Rússia transformou o frio em arma, diz ONU

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Rússia transformou o frio em arma, diz ONU

A Rússia cometeu crimes de guerra e crimes contra a humanidade na Ucrânia ao atacar de propósito a rede elétrica do país, deixando milhões de pessoas sem luz e sem calor sob temperaturas congelantes. Essa é a conclusão de uma investigação apoiada pelas Nações Unidas, divulgada na segunda-feira, 27 de outubro.

O núcleo da acusão é a palavra "proposital". Não se trata de usinas atingidas por engano no meio de combates, e sim de uma escolha: bombardear estações de transformador, termelétricas e linhas de transmissão justamente quando o inverno severo faz do aquecimento uma questão de sobrevivência. Para uma investigação de direitos humanos, atacar a infraestrutura civil de forma deliberada, sabendo que o golpe atinge a população comum, cruza a linha do que o direito internacional de guerra proíbe.

O que está em jogo vai muito além da rede elétrica. Sem energia, param os hospitais, falham as bombas d'água, apagam os telefones e as internet, e as casas com aquecedor a gás ou a eletricidade viram geladeiras. Isso é o que faz a ONU, organização internacional que reúne quase todos os países do mundo, enquadrar os ataques não só como crime de guerra, categoria que pune ataques a civis e bens essenciais em conflito, mas também como crime contra a humanidade, reservado para violações sistemáticas e generalizadas contra população civil.

O inverno ucraniano é brutal: temperaturas que ficam abaixo de zero por meses a fio. Para milhões de ucranianos, que é exatamente a conta que a investigação faz, sem energia não é desconforto, é risco de hipotermia, de respiratórias agravadas, de morte dentro de casa. O frio deixa de ser um efeito colateral da guerra e passa a ser o próprio alvo.

O relatório ainda aponta outros elementos de prova, segundo o trecho divulgado da reportagem, e a investigação segue aberta. O documento não tem poder de prender ninguém: não existe polícia internacional que vá a Moscou. Mas ele fixa um registro público e permanente, base que historiadores, cortes e futuros julgamentos usam para atribuir responsabilidade.

Por que importa: para o Brasil, a ligação é direta e prática. A guerra e os ataques à infraestrutura ucraniana ajudaram a elevar o preço do gás e do petróleo no mercado internacional, e o Brasil importa gás natural. Quando o gás caro sobe, a conta de energia e a inflação sentem aqui. E há um segundo ponto: a guerra do inverno mostra como a infraestrutura elétrica de qualquer país virou alvo estratégico, um lembrete que também serve para a rede brasileira, que depende de um sistema interligado concentrado em poucos corredores.

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