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Emirados apostam sozinhos no petróleo e pressionam o preço mundial

ENERGIA
Emirados apostam sozinhos no petróleo e pressionam o preço mundial

Os Emirados Árabes aumentaram a exportação de petróleo mesmo em plena guerra com o Irã, seis meses depois de deixar a OPEP, o cartel dos produtores. A revelação, feita a executivos da indústria durante a feira ADIPEC, em Abu Dhabi, mostra que o país trocou a disciplina coletiva do cartel por uma aposta individual: vale mais garantir fatia de mercado do que segurar a produção para sustentar o preço. Em setembro, os Emirados bombaram 3,917 milhões de barris por dia.

O anúncio aconteceu na ADIPEC, uma das maiores feiras de petróleo e gás do mundo, que os Emirados começaram a hospedar na segunda-feira. O ministro de Energia, Suhail al-Mazrouei, disse a executivos que as exportações em algumas ocasiões foram melhores do que antes da guerra. A fala confirma o que os números já indicavam: o país não só manteve a produção como a acelerou enquanto seus vizinhos recuavam.

Os dados do próprio cartel ilustram a virada. A produção de setembro ficou 15% acima do nível de fevereiro, quando a saída ainda não tinha acontecido. Seria 470 mil barris por dia acima da cota que se aplicaria se os Emirados continuassem na OPEP+. A Agência Internacional de Energia, organismo dos países consumidores, calcula a produção ainda mais alta, em 4,4 milhões de barris por dia. A estatal ADNOC contestou as cifras, mas não apresentou números alternativos.

A conta é simples de entender. Um cartel funciona como um acordo de vizinhos para dividir o bolo: cada produtor aceita vender menos para que o preço não despenque. Quem sai do acordo pode bombear à vontade e conquistar compradores que antes ficavam com os outros. É o que os Emirados estão fazendo, e o resultado aparece em mais barris circulando no mercado mundial.

Mais oferta, com a mesma demanda, tende a puxar o preço para baixo. A guerra com o Irã normalmente faria o contrário, já que o Golfo Pérsico concentra uma fatia enorme do comércio global de petróleo. Mas os Emirados mostraram que conseguem exportar mesmo com o conflito, o que enfraquece o pânico que costuma inflar a cotação. O preço do barril responde menos ao medo e mais à aritmética da produção.

Por que importa: o petróleo barato desce a cadeia até a bomba de qualquer lugar do mundo. Para o Brasil, que produz e exporta crude, um preço menor reduz a receita da Petrobras e afeta o resultado do pré-sal. Para quem só abastece, tende a aliviar a pressão sobre a gasolina e, com ela, sobre o custo de vida. Os Emirados, ao bombear sozinhos, estão mexendo no preço que o brasileiro paga no posto.

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