A China anunciou novas restrições à exportação de terras raras, enquanto o Chile aprovou uma lei que aumenta a tributação sobre a mineração de lítio. Os dois maiores fornecedores de minerais essenciais para a tecnologia do século XXI estão usando o acesso a esses recursos como moeda de troca em negociações geopolíticas e comerciais.
As terras raras chinesas são componentes críticos em semicondutores, painéis solares e baterias de carros elétricos. O lítio chileno segue a mesma lógica: sem ele, não há bateria moderna. Pequim já usa o controle sobre esses materiais para pressionar rivais; agora Santiago faz o mesmo, mas com uma estratégia diferente: em vez de bloquear, aumenta o preço e assume maior controle sobre quem extrai.
O paralelo é claro. A China restringe de forma direta, cortando cotas de exportação quando desaprova ações políticas de outros países. O Chile escolhe o caminho do nacionalismo de recursos: elevar impostos sobre mineradoras garante mais poder estatal e mais dinheiro para o tesouro. Ambos entendem que quem controla esses minerais controla parte relevante da cadeia produtiva global de tecnologia.
Isso marca uma mudança estrutural no comércio internacional. Diferentemente do petróleo, que os produtores vendem porque precisam de receita, terras raras e lítio viram trunfos estratégicos. Os fornecedores não estão apenas vendendo matéria-prima; estão usando a escassez como moeda de negociação.
Por que importa: O Brasil é um produtor potencial de ambos os minerais e tem depósitos de lítio em Minas Gerais. Se o padrão se consolida, com fornecedores controlando preços e fluxos para pressionar politicamente, o Brasil pode tanto se beneficiar (revendendo poder geopolítico) quanto ficar vulnerável (importadores buscarão fontes alternativas e pressionarão por preços menores). Além disso, a maior tributação sobre a mineração reduz a atratividade do investimento estrangeiro, algo que o Brasil precisa avaliar na sua própria estratégia para o lítio.
