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Síntese: O mundo se divide em blocos, e o Brasil fica no meio

TECNOLOGIA
Síntese: O mundo se divide em blocos, e o Brasil fica no meio

O mundo está se reorganizando em blocos de poder rivais, e dessa disputa dependem a energia, a comida e a tecnologia que chegam ao Brasil. Enquanto Washington e Pequim travam uma corrida por matérias-primas críticas e controle de rotas marítimas, países como Chile e Catar aprendem que a neutralidade comercial não existe mais. Governos agora usam impostos, restrições à exportação e mediação política como armas. O resultado é simples: quem controla o lítio, o semicondutor ou o petróleo dita o preço que o brasileiro paga no posto e no supermercado.

A China deu o recado ao anunciar novas restrições à exportação de terras raras, minerais essenciais para chips e carros elétricos. Pequim controla 70% da produção global e usa isso como moeda de troca contra o Ocidente. No mesmo movimento, o Chile aprovou uma lei que aumenta a tributação sobre a exploração de lítio, seu principal recurso. Ambos os países perceberam que vender matéria-prima barata não é mais uma estratégia. Eles ganham mais dinheiro, mas também ganham poder político ao apertar a torneira.

Taiwan e o estreito que a rodeia viraram o palco central dessa disputa. A China realiza exercícios militares em escala cada vez maior; os EUA enviam porta-aviões para a região. A navegação por aquele estreito movimenta trilhões em comércio anual. Se ficar bloqueada, o preço do microchip dispara no mundo inteiro, e o Brasil sente isso na inflação da tecnologia e dos produtos industrializados. Enquanto isso, o Brasil lidera o BRICS e propõe um mecanismo de compensação entre os membros do bloco para escapar do domínio do dólar norte-americano. Não é teoria. É um país grande tentando criar uma rota alternativa num tabuleiro onde as rotas antigas estão sendo fechadas.

O padrão é claro: Estados fortes recuperam o controle total sobre os recursos que definem a sobrevivência econômica de seus vizinhos. A geopolítica e o comércio viraram sinônimos. Para o curioso leigo brasileiro, isso significa que o preço da energia, a inflação e até a disponibilidade de certos produtos deixaram de ser apenas uma questão de mercado. Agora, são uma questão de quem está vencendo a disputa pelos blocos.