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Fome no Sudão, impasse em Gaza: quando a diplomacia não consegue parar a guerra

ORIENTE MÉDIO
Fome no Sudão, impasse em Gaza: quando a diplomacia não consegue parar a guerra

Enquanto mediadores qatarienses negociam um cessar-fogo de 60 dias em Gaza, 25 milhões de pessoas no Sudão enfrentam fome severa. O conflito interno sudanês bloqueia a distribuição de ajuda humanitária, e nem os acordos internacionais conseguem abrir caminho para comida e remédios. Gaza avança lentamente nas conversas; o Sudão segue à deriva. O contraste revela uma realidade incômoda: a diplomacia paralisa quando a guerra é interna e os grandes atores não sabem (ou não querem) onde meter as mãos.

A crise no Sudão é invisível para quem acompanha noticiários ocidentais. Começou em abril de 2023 como um conflito entre facções militares rivais e já deslocou 10 milhões de pessoas. A ONU alerta que os combates tornaram impossível a entrega de comida e medicamentos. Cidades inteiras vivem isoladas. Hospitais fecharam. Crianças morrem de desnutrição enquanto negociadores internacionais se reúnem regularmente e saem de mãos vazias.

Gaza, ao contrário, domina as manchetes. O conflito entre Israel e Hamas segue fervendo há mais de um ano, mas há pelo menos um movimento diplomático visível. O Catar, intermediário reconhecido por ambos os lados, relata avanços nas negociações. A proposta atual inclui a troca de reféns e a paralisação dos combates por dois meses. Não é a paz, mas é algo. No Sudão, não há nem isso.

A diferença não é um mistério. Gaza tem alcance global e relevância geopolítica de primeira ordem. O Sudão é visto como um problema confinado à África, onde as potências mundiais têm menos interesse em aparecer. Quando ninguém de fora se mexe, os atores locais também não sentem pressão para negociar. O resultado é um bilhão de pessoas à beira do colapso humano enquanto o mundo debate cláusulas de trégua em outro lugar.

Por que importa: O Sudão é um dos maiores produtores de goma arábica, insumo essencial para a indústria de alimentos, bebidas e remédios no Brasil. Com o conflito travando as exportações, fabricantes brasileiros enfrentam dificuldade para comprar a matéria-prima. Isso já pressiona os custos. No supermercado e na farmácia, o preço tende a subir. Além disso, crises humanitárias desse tamanho geram migração em massa: não é raro que chegue ao Brasil gente fugindo da fome extrema, carregando traumas com os quais o sistema de acolhimento local não está preparado para lidar.