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Rejeição em alta: de Tóquio a Buenos Aires, governos enfrentam o fim do dinheiro fácil

INDO-PACÍFICO
Rejeição em alta: de Tóquio a Buenos Aires, governos enfrentam o fim do dinheiro fácil

Governos de três continentes perderam poder político em semanas. No Japão, a coalizão governista perdeu o controle do Parlamento nas eleições legislativas. No Quênia, protestos de rua forçaram o governo a recuar de uma reforma tributária. Na Argentina, o presidente mantém as contas públicas no azul, mas a produção e o comércio desabam. O padrão é claro: a tolerância ao aperto econômico acabou.

A crise começou em 2020 com dinheiro barato. Bancos centrais do mundo inundaram a economia de crédito para evitar um colapso na pandemia. Governos gastaram além da conta. Quando a inflação disparou em 2022, as autoridades tiveram de apertar: juros altos, corte de gastos, menos empregos. Nos países ricos, a população aguentou. Nos países periféricos, não, porque o custo recaiu sobre os mais pobres.

No Japão, a coalizão que governa há décadas perdeu a maioria. O iene enfraqueceu nos mercados, encarecendo as importações. No Quênia, o governo tentou aumentar os impostos sobre combustível e telecomunicações; a população saiu às ruas e o presidente recuou em dias. Na Argentina, Javier Milei vence a inflação com desemprego alto e salários em queda livre, mas gastar menos do que arrecada ainda é a única moeda política que lhe resta.

O fio que une os três casos é a mesma pressão: globalmente, o dinheiro ficou caro. Quem se endividou demais sofre. Quem não tem uma rede de proteção social sofre mais. E quando sofre, tira governos do poder ou força recuos na política econômica que aumentam a pressão fiscal sobre o topo da pirâmide.

Por que importa: O Brasil está longe dessa ruptura, mas não está imune. Se os juros globais não caírem nos próximos meses, o custo da dívida brasileira sobe e cabe ao governo escolher entre cortar gastos (desemprego, escola pública mais vazia) ou aumentar impostos (gasolina, energia, comida mais cara). A população brasileira, como a do Quênia ou a do Japão, tem um limite para o quanto tempo aguenta a inflação e o desemprego. Neste momento, em três cantos do mundo, esse limite foi atingido.